Em 2008, quando saiu o concurso
da PRF, eu trabalhava oito horas por dia em uma escola pública do DF, era Orientadora
Educacional.
Estava meio desanimada com os
rumos da minha vida e decidi me dedicar para esse concurso. Matriculei-me em um
cursinho noturno. Assim, o meu tempo estava todo preenchido, trabalhava de dia
e estudava a noite.
Era uma saga diária: 50 km da minha casa até a
escola, mais 25 km
da escola até o cursinho e depois mais 35 km para retornar para casa. Ou seja,
percorria 110 quilômetros
todos os dias. Quando eu chegava, por volta da meia-noite, estudava mais uma
hora. E assim, foram os quarenta e cinco dias.
Como eu não dispunha de tempo
para treinar para o Teste de Aptidão Física (TAF), resolvi que só iria me
preocupar com isso depois da realização da prova. Atenção, depois da prova e não
do resultado.
A prova objetiva foi realizada em
14 de setembro de 2008. Eu me saí razoavelmente bem. Nos fóruns da vida, eu
sempre ficava bem classificada. Comecei a treinar a partir disso.
Depois do trabalho, todos os dias
ia correr na UnB, pois era o melhor lugar, já que dispunha de uma pista de
corrida e local para fazer a barra.
Diariamente, eu treinava corrida,
pulo e salto. A não ser na barra, não consegui bater todos os índices mínimos
de cara. Foi uma crescente. Cada dia melhorava um pouquinho. Não tive ajuda de
profissional. Foi eu e eu mesma.
Na corrida, resolvi treinar
somente na pista de atletismo, pois era nessas bolinhas de 400 metros que o teste
ocorreria. Bolei estratégia: fazer as primeiras voltas num ritmo acelerado e as
outras mais tranqüilo. Deu certo, no dia da prova até andei, rsrs.
A barra estática (graças a Deus
que não foi dinâmica, pois essa não consigo nem com reza), eu já conseguia o índice
máximo, mas mesmo assim treinava um pouco diariamente. Esse exercício era o meu
trunfo, pois nele certamente conseguiria a nota máxima o que me permitiria “relaxar”
um pouco mais nos outros.
O salto (meu Deus!) era
dilacerante. A barriga doía muito, mas muito mesmo. Era dolorido treinar todos
os dias, demorei bastante para fazer o mínimo. Mas a vontade era tanta que as
dores eram meus troféus.
E assim fiquei treinando esses
três exercícios até o dia 22 de outubro, quando saiu o resultado definitivo da
prova objetiva e o provisório da redação. Eu tinha ficado no número de vagas!
Nem mesmo se todo mundo entrasse com recurso na redação e ganhasse todos os
pontos possíveis, eu ficava fora das vagas. Meu Deus! Foi uma alegria imensa.
Eu cheguei em casa e comecei a gritar: rá, rá, ru, ru, o Mato Grosso é nosso!
Mas, agora eu tinha um desafio
maior: eu não sabia nadar e tinha teste de natação (que não tem mais nos
concursos da PRF). Eu tinha 21 dias para aprender, já que o TAF seria no dia 12
de novembro. Matriculei-me num curso de natação.
Agora, nesses 21 dias, eu
treinava os quatro exercícios por dia. “Nadava” de manhã, antes do trabalho, e
a noite. Além dos outros exercícios à noite.
O professor começou a me ensinar
o nado craw, mas eu vi que não daria tempo de aprender. Então foquei em “nadar”
os 50 metros
exigidos, de qualquer forma. Graças a Deus não era exigido tempo mínimo. Assim,
as aulas de natação eram só para ganhar resistência. Fiz o nado “afogadinho”,
no qual me afogava um pouquinho e batia as mãos, tirava a cabeça para fora e
respirava e voltava a me afogar de novo.
Ah! Uma coisa engraçada: quando
comecei a nadar, falei para o professor de Educação Física da escola em que
trabalhava e perguntei se dava tempo de aprender. E o quê ele disse? NÃO! Doeu aquele não, mas não me fez
desistir.
E assim eu treinei duramente
todos esses dias. Fui para Cuiabá, onde foram realizados os testes físico e
psicotécnico.
Cheguei um dia antes na cidade,
ainda dei uma treinada na UFMT, onde foi realizado o TAF. Até pulei a cerca da
piscina para treinar lá também.
No dia, estava bem confiante. Meu
então namorado estava comigo me ajudando em tudo.
Primeiro foi a barra fixa, às
9h30 min. Com facilidade tirei a nota máxima.
Depois foi o pulo, em que também
tirei a nota máxima.
Em seguida, a corrida. Como já
tinha tirado a nota máxima nos outros dois exercícios, poderia fazer o mínimo
na corrida. Até andar andei, foi muito tranqüilo. O mais difícil foi o solzão e
o calor de Cuiabá, pois a minha hora de correr foi lá pelo meio dia, com sol a
pino.
Por último foi a natação, que era
somente atravessar a piscina. A examinadora me perguntou se eu queria no raso
ou no fundo. Eu preferi o fundo, pois assim eu não correria o risco de colocar
o pé no fundo da piscina, o que me eliminaria. Não sei o tempo que levei para
fazer os 50 m,
mas só sei que passei.
Pronto! A felicidade estava
completa. Passei no TAF!
Vi uma moça e um rapaz reprovando
na barra. Foi bem triste!
Depois da alegria do TAF, agora
era a agonia do psicotécnico. Se houver algum comentário a esse post, me
pedindo informações sobre o psicodoido, eu o farei!
Passei exatos três anos na PRF. Foi
um aprendizado e tanto!